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Ostara: O Equinócio da Primavera

21 de set. de 2025
3 min de leitura

Atualizado: 23 de set. de 2025


Ostara é celebrado no equinócio da primavera, quando dia e noite têm a mesma duração e o sol começa a dominar a escuridão. É um sabbath marcado pela promessa de renovação, pela fertilidade que brota dos campos e pela alegria de ver a vida despertar após os meses longos de inverno. Diferente de outros festivais da Roda do Ano, Ostara não tem registros célticos ou nórdicos sólidos que apontem para uma festa com esse nome. O termo vem da obra de Jacob Grimm, no século XIX, que escreveu sobre uma suposta deusa germânica chamada Ôstara ou Eostre, associada à aurora e à fertilidade.


Grimm baseou-se em menções anteriores de Beda, um monge anglo-saxão do século VIII, que relatava que o mês de abril era chamado Eosturmonath em honra a essa deusa. Contudo, fora essas referências, não há indícios claros de um culto amplo ou estruturado. Mesmo assim, a ideia foi abraçada pela bruxaria moderna e o nome Ostara acabou se tornando sinônimo do equinócio de primavera.


Muitos dos símbolos de Ostara, no entanto, possuem raízes antigas e sobreviveram até a contemporaneidade. O mais famoso deles é o ovo. Povos da Antiguidade já viam o ovo como representação da vida e da criação cósmica. No folclore europeu, ovos eram pintados e enterrados nos campos para trazer fertilidade às plantações. Outro símbolo antigo é a lebre, animal de fecundidade notável, que aparece em mitologias europeias como companheira da primavera.


As fogueiras também eram comuns nessa época. Em várias regiões da Alemanha, acendiam-se grandes fogueiras no equinócio para “ajudar o sol” a crescer e aquecer a terra. Esse costume foi assimilado em festas de Páscoa, e até hoje é possível ver em certas aldeias alemãs e holandesas as chamadas “fogueiras pascais”. O gesto de fortalecer o sol no momento de equilíbrio mostra como os povos antigos entendiam sua fragilidade, o renascimento da primavera era visto como um processo que exigia apoio humano.


No folclore rural, o equinócio de primavera também era tempo de práticas de adivinhação. Colher flores ao amanhecer e colocá-las debaixo do travesseiro, por exemplo, era um modo de sonhar com presságios de amor. Crianças eram incentivadas a correr pelos campos recolhendo flores como forma de “espalhar” vitalidade. Em alguns vilarejos, acreditava-se que a água colhida nas fontes ao amanhecer do equinócio possuía poder de cura e rejuvenescimento.

Com o avanço do cristianismo, o equinócio passou a ser incorporado na Páscoa, que é sempre celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera no hemisfério norte. Esse cálculo liga a festa cristã diretamente ao ciclo lunar e solar, preservando a atmosfera de renascimento que já existia nas práticas pagãs. Assim, mesmo sem registros abundantes de um culto específico a Ostara, a primavera nunca deixou de ser celebrada como tempo de vida e abundância.

Na bruxaria moderna, Ostara ganhou um significado espiritual renovado. É o sabbath do equilíbrio, quando a luz e a sombra se encontram em harmonia antes que a luz assuma supremacia. É tempo de plantar sementes, tanto literalmente nos jardins quanto simbolicamente em intenções pessoais. Muitos bruxos celebram com altares cheios de flores, ovos pintados, velas verdes e amarelas, símbolos de coelhos e lebres. Também é comum bênçãos da terra e rituais de consagração de sementes para garantir boa colheita espiritual e material ao longo do ano.

Uma curiosidade interessante é que alguns neopagãos modernos celebram Ostara ao amanhecer, subindo colinas para ver o sol nascer. Esse gesto ecoa tradições antigas de “saudar a aurora”, acreditando que a primeira luz do equinócio carregava poder de cura e renovação. O nascer do sol nesse dia é visto como uma vitória da fertilidade sobre o frio, um marco simbólico do retorno da vida.

Ostara, portanto, é um sabbath cuja modernidade é evidente, o nome e muitos de seus ritos atuais foram reconstruídos nos séculos XIX e XX, especialmente pela Wicca. Mas essa reconstrução se apoiou em símbolos antigos, como ovos, lebres, fogueiras e águas sagradas, que carregam uma memória ancestral de fertilidade e renascimento. É uma celebração que une erudição moderna e instinto antigo, transformando o equinócio em um ponto de poder onde a terra desperta e a esperança floresce.


 
 
 

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